06/09/2025
Poesia por: Milton Quizomba
Tema: Carma de Sangue
Alternativo: Carma vermelho
(03/09/2025)
Solenes cirenes que ecoam no alento
Veemente sussuram tocando tormento
Vêm-me e mente em dado momento
Iundando o espaço com tal pensamento
Do que não estaria eu disposto a despojar?
P'ra da sua voz uma vez mais desposar!
P'ra no seu lago de renúncia uma vez mais navegar!
Aprender com Shakespeare seus ouvidos cortejar!
Desaprender com Manhattan seu coração destroçar!
Exemplificar que nem Pitágoras p'rà sua mente demonstrar!
E declamar eloquentemente que nem César p'ra sua alma arrebatar!
Ah, mundo cruel!
Injusto, Outjusto, Disjusto, tudo junto, menos Justo!
Sugando o pouco do porco que nem coco
Deixando-o louco e oco. Mais louco e oco!
Procuro o ponto, o tal polo, o sentido
Pra'cabar com um tempo, tão repentino!
Sou tão são como qualquer homem, não minto
E tão vil como qualquer demônio, então minto
Dscanse, que aos bons atos ainda há afinco
Embora, no meu quadro já não os pinto
Pobre homem, este eu!
Trabalhador, molestador, violador
Amado só pelo cocktail
Eles dizem "Teve o que mereceu
Pois como um rato pereceu"
Tive em mãos por anos a posse dos mais vis pecados
E no entanto em milésimos de segundo a posse das mais sublimes reflexões!
Tais dedos inchados, manchados, de sangue pintados
Tornam-se hoje mendigos das mais altas visões
Solenes cirenes que ecoam no alento
Removam o tão pouco que de mim restou!
O homem, um jovem, tão sem talento
Que no pouco do porco enfim roubou!