02/06/2022
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Nas últimas semanas eu venho passando por um grande processo de abandono. Quando me refiro ao abandono, me dirijo as minhas cresças, e me questionando o quanto limitar o infinito que nos rodeia é anulador…
E desde que me tornei mãe, me tornei também quem eu sempre sonhei, e graças a minha filha, que me ensina a todo momento que eu não preciso de nada. Eu tenho tudo. Sempre tive.
Por muito tempo estudei sobre muitos assuntos, pois minha curiosidade parecia não ter fim. Mas já não encontrava a mesma satisfação que antes, o meu prazer começou a se definhar dentro de mim, e o desespero veio junto.
Por que ninguém fala?
Foram meses até que entendesse o que estava acontecendo. Para onde ir? O que fazer? São questionamentos que rondavam minha mente constantemente.
Me diziam: “é assim mesmo”. “Vai passar”. “Todes sentem isso”. “É normal”. “Não tem o que fazer”.
Antes da gestação, a investigação do meu ciclo menstrual me ajudava muito, era a minha bússola. Mas quando me reparei com a realidade de não lunar mais, e ainda hoje, após quase 11 meses do parto não estar sangrando mensalmente, me deixava perdida.
Me vi só, e então me despi de todas crenças que estavam limitando minha expansão, e me restou a única coisa que tenho: a mim mesma. E foram duas de lágrimas e de sorrisos, limpando e energizando esse novo ser que estou me tornando. E você filha, me cura a todo momento. A todo instante que eu te digo, você é livre, eu digo a mim também, porque eu também já fui criança, eu também já fui bebê, e liberto diariamente de tudo o que não pertence a mim.
Respirar e sentir, vocalizar o som do meu coração tem me fazendo sentir a verdadeira satisfação, o verdadeiro prazer. Que ninguém poderá me ensinar, nem encontrarei em livros, nem em pensadores. Encontrarei a verdade apenas mergulhando em mim.