16/06/2025
Ciclos
Acordei com a alma em desalinho,
não de tristeza — mas de pensamento.
Carrego em mim
cicatrizes que não sangram, mas lembram.
E às vezes, lembrar... dói mais que a ferida.
Há em mim um querer seguir,
um desejo de mudar o passo,
mas os mesmos fantasmas se erguem nas esquinas
dos caminhos que insisto em trilhar.
Já vivi este enredo.
Já vi o fim do capítulo
antes mesmo do meio.
Não por pessimismo —
mas porque certas dores vestem rostos conhecidos.
E me pergunto:
fechar-me é proteção ou prisão?
Abrir-me é coragem ou sentença?
Será que enfrentar é sempre ir de peito aberto
ou às vezes é recuar, com sabedoria?
Ciclos se repetem,
não por castigo,
mas por chamado.
Algo em mim ainda busca ser olhado,
não com medo,
mas com verdade.
Não sei o que fazer,
e talvez seja esse o começo da cura:
aceitar que o não saber também é resposta.
E que o tempo, em sua dança antiga,
há de me ensinar —
se eu continuar dançando.
Kelly Justos