26/05/2017
Já diria Karol Conka: Juiz de internet...
Antes de expor qualquer opinião neste texto, é importante sublinhar a total ausência de intenção em definir ou impor uma verdade universal. Mais uma vez se trata de uma observação cotidiana que rendeu alguns minutos de digitação. Apenas mais um “eu acho” nesse mar de opiniões infindas que a o acervo virtual de ideias nos proporciona diariamente. Mas vamos ao ponto: Recentemente percebi que é tempo de tomar o dicionário em mãos e entender o que é Senso Crítico. Atualmente ele esta confundido com pessimismo, discurso de ódio e até mesmo indiretas de rede social.
Expressar repulsa ou discordância tornou-se, erroneamente, um novo conceito para pessoas rotuladas como detentoras do senso crítico. Entretanto, surpreendendo alguns, criticar não tem uma relação de fidelidade com o sentido pejorativo.
Basta uma reflexão superficial para contextualizar o parágrafo acima: Se a crítica estivesse limitada ao “não gostar”, como que, por meio dela, seria eleito o MELHOR filme do ano? Ou a MELHOR música? O dicionário nos alerta quanto a riqueza do termo em questão:
crítica
substantivo feminino
1.
arte, capacidade e habilidade de julgar, de criticar; juízo crítico.
2.
p.ext. atividade de examinar e avaliar minuciosamente uma produção artística, literária ou científica, bem como costumes e comportamentos.
"c. literária, musical"
3.
p.met. expressão escrita ou gravada resultante dessa atividade teórica, ideológica e/ou estética.
"publica suas c. nos piores jornais"
6.
p.ext. opinião desfavorável; censura, condenação.
"faz muitas c. ao pai"
8.
fil exame de um princípio ou ideia, fato ou percepção, para produzir uma apreciação lógica, epistemológica, estética ou moral sobre o objeto da investigação.
Não existe senso crítico onde não há capacidade de reconhecer, avaliar e, não raramente, aplaudir o que é positivo. Cabe então, neste caso, o pessimismo e até mesmo o mau humor. Senso crítico tem fidelidade com racionalidade, lógica, inteligência. Dissertar a negatividade de algo, baseando-se em uma preferência individual, não envolve racionalidade, e sim sentimento.
Não posso afirmar que quindim é o pior doce do mundo, quando é uma opinião e percepção variável de acordo com cada paladar. Essa afirmativa esta na classificação do “eu acho”, não do senso crítico, da racionalidade. Posso afirmar que quindim é originalmente amarelo, feito com gemas, e que amarelo não é lá a minha cor favorita, mas a partir do momento que a racionalidade entra em ação no discurso, de forma alguma poderei afirmar com propriedade que este é o pior doce do mundo.
Precisamos reavaliar o que propagamos como verdade indiscutível. O dia a dia nos comprova de forma precisa que a verdade é bem mais subjetiva, e individual, do que a filosofia do ensino médio nos contou. Aprender a separar também é importante, seja o joio do trigo, bem como, a crítica racional baseada em fatos da opinião baseada em sentimentos e preferências.
Deborah Anttuart
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