22/05/2026
Ela está amarrada.
Isso dói. Limita. Humilha.
Mas as cordas não são só nos braços e nas pernas. Elas estão na mente.
São histórias que ela repete há anos.
Os traumas, as marcas emocionais, as culpas que carrega.
O papel de vítima que mesmo machucando, virou sua identidade.
Ela se arrasta. Sofre. Luta.
A tesoura está ali.
Pendurada, ao seu alcance.
Não é por falta de saída.
Não é falta de oportunidade.
Tem saída, tem solução.
Ela tem as ferramentas para se libertar, mas quando ela chega até a tesoura, vem o mais cruel, ela já tem duas tesouras e não corta as cordas.
Ela sabe, entende, ela poderia cortar as cordas mas não corta.
Porque cortar as cordas não liberta só o corpo, liberta das desculpas, da narrativa de culpar os outros e o mundo pelo o seu fracasso.
E isso assusta mais do que continuar presa.
A prisão não está nas cordas, está no medo de viver sem elas, na resistência em deixar o passado para trás, de soltar o que prende, não só o corpo mais principalmente, a mente.
Cortas as cordas exige, coragem.
Inspirado no texto da Viviane Natália