As peças da fio se caracterizam pelo desenho limpo, simples - elementar - que por vezes dialoga com a rigidez geométrica do desenho técnico, para no momento seguinte fluir, livre, seguindo o contorno irregular de uma pedra bruta. A principal matéria prima utilizada, o elemento químico -Ag - a prata, é totalmente processada na oficina, desde a liga, fundindo os metais e assistindo a transformação
operada pelo fogo, passando pela laminação, cortes, dobras, soldas, até o último polimento, moldando o metal à ideia . O fio da vida e do tempo, algo simples e quase invisível, que possibilita criar todas as formas. Organizado numa trama, numa urdidura, o fio é o elemento de que as cores e as imagens dos tecidos são feitas. Fio, do latim, pode ser traduzido como faço, planejo, projeto, desenvolvo. Refere-se a fíeri: como verbo, significa acontecer, chegar, suceder, vir a ser, tornar-se, e, como substantivo, é aquilo que há de vir a ser. Designa, portanto, a transformação das ideias e dos materiais. É desenvolvimento, evolução, mudança. Para a primeira coleção da marca, a arquitetura entra em cena de uma forma simbólica - através das Cidades Invisíveis. O livro, de Italo Calvino, nos fala de uma geografia fantástica, um símbolo complexo e inesgotável da existência humana. Longe de tentar esgotar em um única forma toda a beleza e complexidade das cidades descritas, ou mesmo ilustra-las, as peças são por outra um instantâneo, um vislumbre, a tentativa de captar um momento, nem que apenas uma sombra, e trazê-las para outra escala, outra proporção. A coleção é ainda um convite para conhecer um pouco desses lugares, tão distantes e tão próximos. "A cidade de quem passa sem entrar é uma; é outra para quem é aprisionado e não sai mais dali; uma é a cidade à qual se chega pela primeira vez, outra é a que se abandona para nunca mais retornar; cada uma merece um nome diferente; talvez eu já tenha falado de Irene sob outros nomes; talvez eu só tenha falado de Irene." O desenho e execução das peças é da arquiteta Suyenne Lemos.