14/11/2022
Parte 1:
Essas são algumas das minhas características, uma mãe empreendedora, que sempre se arrisca e se desafia; dona da frase "não tem nada que eu tenha medo que eu não faça". Intensa e destemida, esses são meus pontos fortes, mas nem sempre foi assim. Pra ter toda essa força que tenho hoje, tive que me moldar. Sabe aquela história de Deus quebrar o vaso e fazer um novo? Aconteceu comigo há 4 anos. Eu vim do Tocantins, porque queria fugir de lá, com a frase da música da Ana Vitória "agora eu quero ir, pra me reconhecer de volta"... Eu fugi pensando que deixaria aquela vida pra trás, e fiz isso. Mas não esperava que as feridas, os traumas também viriam comigo. E quando cheguei aqui, foi terrível, porque era eu comigo mesma e tive que me encarar, me enfrentar e me refazer. Eu fui diagnosticada com depressão, após me encontrarem desmaiada no quarto, com os pulsos cheios de sangue. Já tinha 3 anos que me mutilava, mas naquele dia, fugiu do meu controle. Eu tomava muitos comprimidos quando estava mal, que nem sabia quais eram, só enchia a mão e tomava. Comprava blusas de manga longa e customizava fazendo cortes nas mangas pra não ficar tão quente, porque tinha que usar mangas longas pra ninguém ver os cortes, mas naquele dia, eu seria apenas mais um dia que eu iria externalizar a dor e no outro dia estaria tudo bem. Mas eu desmaiei, me encontraram e levaram pro hospital. Enfim, depois disso, decidiram que eu precisaria ocupar minha mente, e a patroa da minha mãe me deu uma máquina de costura, pq naquela época eu já costurava à mão. Foi meu melhor presente. Eu amava passar cada segundo naquela máquina, e ali, a costura me salvou pela primeira vez.