22/02/2022
A HISTÓRIA DO TERNO FEMININO
Além de confortável, é também sinônimo de poder, ousadia, modernidade, e sem sombra de dúvidas, sensualidade — entretanto, o são de uma forma discreta.
Diferente do que acredita-se o senso popular, o modelo não foi criado por Coco Chanel! À primeira vista, a estilista é tida por muitos como a precursora do primeiro modelo de terno feminino, com o conjunto de blazer com saia denominado tailleur. Mas a história começa antes, num período histórico, em que o mundo vibrava progresso devido à Revolução Francesa. Na Inglaterra do século XIX, surgiu a primeira onda de mulheres que dedicava-se principalmente à conquista do sufrágio feminino. As ideias se espalharam pela Europa e pelos Estados Unidos, e as sufragistas, como ficaram conhecidas as mulheres que participaram do movimento, questionavam a razão pela qual recebiam confiança para prestarem serviços de extrema responsabilidade, como a atuação no corpo docente das escolas, mas eram consideradas incapazes de participarem da política. O movimento foi bem sucedido e elas conquistaram o direito de votarem e de serem votadas.
O estilo de jaqueta e saia, adotado pelas sufragistas, influenciou Gabrielle Chanel, que desenhou o primeiro modelo em 1914. Entretanto, foi lançado pela marca 11 anos depois, e, ainda assim, chocou o mundo — apesar da atmosfera de transformação, a sociedade mantinha-se conversadora nas questões de gênero. A peça, que causou tanto frenesi, se ajustava com perfeição à mudança no estilo de vida das mulheres. A democratização do terno foi um dos avanços mais revolucionários do mundo da moda. A partir dali, estilistas como Pierre Cardin, Yves Saint Laurent e André Courrèges criaram suas próprias peças.
No mundo da moda, o terninho feminino exprime uma posição social alta, ao passo que o modelo veio a ter adeptas tão importantes como Hillary Clinton e Kamala Harris, a primeira mulher da história a ser vice-presidente dos Estados Unidos, escolheu um terno branco, assinado por Carolina Herrera, em seu primeiro discurso oficial. Os modelos atuais permanecem como símbolo de empoderamento, destacando ainda o conforto e a qualidade, os principais atrativos desse traje.
Ainda que o terno feminino tenha sido adaptado, ele nunca se distanciou de suas principais inspirações: a força e o poder da mulher.