26/06/2026
Ainda sobre a sequência de Anna Wintour x Chloe Malle, fato é que uma era terminou. E não é jamais sobre "enterrar" Anna. Ou sobre Chloe ser igual a Anna. Mas, espera-se que seja alguém à altura em relação à imagem sim que durante 37 anos esteve ali representando, sentindo e definindo a moda nas tendências. Já Chloe segue Andy, a jornalista. Vivendo e sentindo a moda de outra forma.
Não é sobre certo e errado. É sobre o que foi plantado, semeado e colhido ali nos 37 anos. Sabemos que o mundo não é o mesmo, e não seria diferente na moda. Mas, de fato, a moda é um dos lugares que podemos viver a criatividade de uma forma única e diferente. No entanto, Chloe continua, no lugar do "estilo jornalista", que é assunto para outro post.
E nós esperávamos alguém que comunicasse o peso simbólico daquele cargo porque vemos como um legado. É sobre o que foi construído, cultivado e simbolizado durante quase quatro décadas. E é por isso que a chegada de Chloe provocou tanto debate.
Na Psicologia da Imagem existe um conceito importante: nós não reagimos apenas às pessoas. Reagimos ao significado que atribuímos a elas. Anna deixou de ser apenas uma editora. Tornou-se um símbolo de autoridade, sofisticação e poder dentro da moda.
Quando alguém ocupa esse lugar trazendo uma imagem completamente diferente, nosso cérebro percebe uma quebra de continuidade. Foi exatamente isso que aconteceu. Curiosamente, muitos comentários compararam Chloe à Andy do primeiro filme, antes da transformação promovida pela Runway.porque, no imaginário coletivo, ainda esperamos que quem ocupa determinados cargos "vista" também o peso simbólico que eles carregam.
Isso não significa que Chloe precise ser uma nova Anna. Nem que exista apenas uma forma de comunicar liderança. Mas mostra como a imagem nunca é apenas estética. Ela também é expectativa. E, muitas vezes, é justamente a distância entre aquilo que esperamos e aquilo que encontramos que explica por que uma única fotografia é capaz de gerar tantas discussões.