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Cartografia do FôlegoSérie: Arquitetura das Peles Revestidas | 2026Nesta instalação, reúno três obras — Contornos da Vid...
04/06/2026

Cartografia do Fôlego
Série: Arquitetura das Peles Revestidas | 2026

Nesta instalação, reúno três obras — Contornos da Vida, Ladeiras que Pedem Silêncio e Fôlego da Voz — em um único corpo suspenso. Juntas, elas formam Cartografia do Fôlego, um território construído por fragmentos, costuras, vazios e tentativas de reorganização.

Minha pesquisa nasce da tentativa de compreender como continuamos vivendo depois das rupturas. Trabalho com tecidos translúcidos, linhas, pintura e inscrições que funcionam como mapas afetivos, registrando percursos, ausências e permanências. Interessa-me pensar o corpo como uma arquitetura em constante transformação, onde as marcas do tempo não são apagadas, mas incorporadas à própria estrutura.

Ao suspender essas peças no espaço, procuro criar uma relação entre leveza e instabilidade. Os fragmentos parecem flutuar, mas permanecem conectados por fios que insistem em estabelecer vínculos. Para mim, essa obra fala sobre aquilo que permanece respirando mesmo quando tudo parece disperso.

Cartografia do Fôlego

recolho pedaços

não para voltar a ser inteira

mas para compreender
o desenho que o tempo fez em mim

há tecidos que guardam vozes

há costuras que lembram caminhos

há vazios que também contam histórias

penduro minhas ruínas ao vento

para que respirem

para que a luz atravesse

para que a memória deixe de ser peso
e se torne passagem

entre um fragmento e outro

o fôlego continua

feito linha

feito gesto

feito criança que se perdeu

e ainda assim

segue chamando meu nome

de dentro da própria travessia.

— Auri

Há algum tempo venho entendendo que minhas obras não falam sobre superar a dor, mas sobre permanecer diante dela.Sem rom...
20/05/2026

Há algum tempo venho entendendo que minhas obras não falam sobre superar a dor, mas sobre permanecer diante dela.
Sem romantizar o abismo, sem tentar apagá-lo.
Essa obra nasce desse lugar: o corpo atravessado, costurado, riscado, quase desmontado, mas ainda em pé.

Os fios rosados atravessam a imagem como cicatrizes abertas, como tentativas de ligação entre partes que foram rompidas. Existe uma insistência no gesto. Uma recusa em desaparecer.
O corpo não aparece inteiro, resolvido ou pacif**ado. Ele aparece possível.

Tenho pensado muito sobre como somos ensinados a esconder nossas rachaduras, quando talvez seja justamente nelas que mora nossa transformação.
Essa obra fala sobre tocar o fundo sem endurecer. Sobre mudar sem precisar negar aquilo que doeu. Sobre existir mesmo incompleta.

abraçar o abismo
não é cair
é f**ar
olhar de frente
o que dói
sem desviar
toco o fundo
e não quebro
mudo
o fim
não termina
desfaz
refaz
insisto
não inteira
não pronta
possível
é o que sou
e é daqui
que começo

Auri

contemporânea

me recuso a vestir formas prontas.a vida tenta dobrar o corpo, medir os gestos, alinhar os excessos, costurar silêncios ...
19/05/2026

me recuso a vestir formas prontas.

a vida tenta dobrar o corpo, medir os gestos, alinhar os excessos, costurar silêncios onde existia grito.
mas eu não nasci para o encaixe.

rasgo padrões como quem abre tecido antigo para respirar de novo.
fico no que transborda, no que sobra, no que não cabe em moldura alguma.

meu trabalho nasce desse corpo atravessado:
dobrado, costurado, remendado, mas ainda pulsando.

cada linha desenhada é quase uma tentativa de reconstrução.
cada dobra guarda uma memória do que fui, do que perdi e do que continuo me tornando.

não busco perfeição.
busco permanência.

Auri

suportar o amortalvez tenha sido uma das coisas mais difíceis que aprendi a tentar.porque a dor, para muitos de nós, che...
15/05/2026

suportar o amor
talvez tenha sido uma das coisas mais difíceis que aprendi a tentar.

porque a dor, para muitos de nós, chega cedo.
e quando ela chega cedo demais, o corpo aprende a reconhecê-la como casa.
o afeto então estranha.
o cuidado assusta.
a delicadeza parece ameaça porque não sabemos quanto tempo ela dura.

Freud falava sobre a compulsão à repetição: essa tendência inconsciente de retornar ao que nos feriu, não porque gostamos da dor, mas porque o psiquismo tenta dominar aquilo que um dia foi insuportável. Como se reviver fosse uma tentativa desesperada de finalmente controlar.
Depois, Nietzsche também toca nesse lugar quando escreve que “aquilo que é familiar costuma parecer verdadeiro”. Mesmo o sofrimento pode virar território conhecido.

e talvez seja por isso que às vezes sabotamos o amor antes que ele fique.
porque permanecer diante do cuidado exige desmontar defesas antigas.
exige desaprender a sobrevivência.

essa obra nasceu desse conflito:
o desejo de ser acolhida
e o medo profundo de relaxar dentro do abraço.

os olhos costurados atravessam esse estado de alerta contínuo.
como quem vigia o afeto para ter certeza de que ele não vai desaparecer.
as linhas tensionadas não fecham a ferida, apenas revelam que ela existe.
e talvez amar seja isso:
não deixar de doer imediatamente,
mas permitir que alguém encoste sem precisar fugir.

suportar o amor

ele chega leve
e eu tremo

meu corpo
ainda lembra
o corte

o cuidado encosta
e arde

não por ferir
por não saber f**ar

mesmo assim
fico

aprendendo
a caber

no que é
afeto

Auri

Nesta obra, a palavra “dor” não aparece como confissão, mas como matéria atravessada pelo corpo. Costuro olhos, linhas e...
13/05/2026

Nesta obra, a palavra “dor” não aparece como confissão, mas como matéria atravessada pelo corpo. Costuro olhos, linhas e rasgos como quem tenta permanecer diante daquilo que insiste em ferir. Há algo de sufocamento nas tramas pretas que cortam a superfície, mas também há vigília: os olhos bordados não se fecham. Eles observam, suportam, continuam.

Uso o tecido transparente como uma pele frágil que cobre sem esconder. Nada aqui está completamente protegido. A pintura ao fundo quase desaparece sob as camadas, como memórias que seguem existindo mesmo quando soterradas pelo tempo. Bordar a palavra “dor” repetidamente é transformar a insistência da ferida em linguagem visual não para glorificá-la, mas para encará-la sem disfarce.

Penso esta obra como um corpo em resistência. Um corpo que entende que suportar não é endurecer, mas continuar sensível apesar do peso. As linhas tensionadas, os tecidos presos, a instabilidade da composição, tudo aponta para a ideia de permanência precária. Existe exaustão, mas existe também movimento.

A obra nasce desse lugar onde a vida pede delicadeza, mas frequentemente entrega aspereza. E ainda assim sigo. Não porque a dor tenha se tornado leve, mas porque atravessar é preciso.

suportar a dor
não adoça
arde

a vida pede doçura
mas entrega amargo

e eu vejo
não desvio
não disfarço
fico

suportar
é atravessar sem garantia
é continuar
mesmo sem alívio

o corpo sente
o tempo pesa
mas não paro

do que fere
abro caminho
do que amarga
faço força

não porque é leve
porque é preciso
e sigo

Auri

12/05/2026
Volto ao Hotel 689 de um lugar muito diferente.No ano passado, caminhei por essa exposição como visitante, atravessando ...
12/05/2026

Volto ao Hotel 689 de um lugar muito diferente.
No ano passado, caminhei por essa exposição como visitante, atravessando obras, imaginando possibilidades, observando artistas que admiro e tentando entender silenciosamente se um dia meu trabalho também poderia ocupar esse espaço.

Este ano retorno como hóspede.

Entre mais de 59 artistas de diferentes estados do país, participo desta edição com uma instalação têxtil que ocupa o vão da galeria, criando relações com outras presenças e trabalhos do espaço — dialogando, por exemplo, com as obras de Hortência e Flavi Leme dentro desse contexto de mulher-casa, casa interior, morada afetiva e memória construída em camadas.

Minha pesquisa nasce justamente desse lugar: tecidos como pele, costura como tentativa de união, roupas como arquivo emocional, corpo como arquitetura de tudo o que atravessamos. A instalação suspensa cria um espaço de passagem, quase um abrigo frágil, onde memórias se encostam e se sustentam umas nas outras.

Estar nessa exposição tem um peso muito simbólico para mim.
Não apenas pela dimensão do projeto e pela presença de tantos artistas do Brasil inteiro, mas porque essa é uma das minhas primeiras exposições. E talvez exista algo muito bonito nisso: retornar a um lugar onde antes eu observava de fora, agora fazendo parte da construção coletiva dele.

Sou profundamente grata por esse convite, pela curadoria, pela troca com outros artistas e por ver meu trabalho encontrando espaço para existir e dialogar.

Convido todos vocês para visitarem o Hotel 689 na Lud Potrich Art Gallery, em Goiânia.
A exposição reúne pintura, têxtil, cerâmica e videoarte em uma mostra múltipla, sensível e viva.

De coração, obrigada a todos que acompanham meu percurso.
Cada presença, palavra e incentivo também costura essa travessia comigo

Auri

Volto ao Hotel 689 de um lugar muito diferente.No ano passado, caminhei por essa exposição como visitante, atravessando ...
12/05/2026

Volto ao Hotel 689 de um lugar muito diferente.
No ano passado, caminhei por essa exposição como visitante, atravessando obras, imaginando possibilidades, observando artistas que admiro e tentando entender silenciosamente se um dia meu trabalho também poderia ocupar esse espaço.

Este ano retorno como hóspede.

Entre mais de 59 artistas de diferentes estados do país, participo desta edição com uma instalação têxtil que ocupa o vão da galeria, criando relações com outras presenças e trabalhos do espaço — dialogando, por exemplo, com as obras de Hortência e Flavi Leme dentro desse contexto de mulher-casa, casa interior, morada afetiva e memória construída em camadas.

Minha pesquisa nasce justamente desse lugar: tecidos como pele, costura como tentativa de união, roupas como arquivo emocional, corpo como arquitetura de tudo o que atravessamos. A instalação suspensa cria um espaço de passagem, quase um abrigo frágil, onde memórias se encostam e se sustentam umas nas outras.

Estar nessa exposição tem um peso muito simbólico para mim.
Não apenas pela dimensão do projeto e pela presença de tantos artistas do Brasil inteiro, mas porque essa é uma das minhas primeiras exposições. E talvez exista algo muito bonito nisso: retornar a um lugar onde antes eu observava de fora, agora fazendo parte da construção coletiva dele.

Sou profundamente grata por esse convite, pela curadoria, pela troca com outros artistas e por ver meu trabalho encontrando espaço para existir e dialogar.

Convido todos vocês para visitarem o Hotel 689 na Lud Potrich Art Gallery, em Goiânia.
A exposição reúne pintura, têxtil, cerâmica e videoarte em uma mostra múltipla, sensível e viva.

De coração, obrigada a todos que acompanham meu percurso.
Cada presença, palavra e incentivo também costura essa travessia comigo.

Auri

“Curvas do Tempo”da série Reconstu-serHá trabalhos que não nascem da tentativa de organizar a vida, mas de aceitar suas ...
08/05/2026

“Curvas do Tempo”
da série Reconstu-ser

Há trabalhos que não nascem da tentativa de organizar a vida, mas de aceitar suas torções. Nesta obra, o tempo não aparece como linha contínua — ele se dobra, retorna, atravessa e permanece inscrito no corpo da matéria.

As costuras não fecham feridas: evidenciam que algo foi rompido. Os desenhos sobrepostos, os fragmentos e as linhas que cruzam toda a superfície criam um território instável, onde memória e corpo deixam de ser separados. Cada camada carrega vestígios do que ficou, do que insiste, do que ainda reverbera.

“Curvas do Tempo” fala sobre permanecer mesmo quando tudo em nós foi deslocado. Sobre entender que amadurecer talvez não seja apagar o passado, mas aprender a existir entre suas curvas.

curva do tempo
não passa
dobra

o que fui
f**a atrás
mas não solta

corpos
sobre corpos
memórias costuradas
sem avesso

linha puxa linha
e me refaz torta

não há começo
nem fim
só camadas

sou muitas
sobrepostas
inacabadas

o tempo não cura
ele curva
e me atravessa

e mesmo assim
permaneço.

Auri

Endereço

Rua 03 QD 50 LOTE 116 NUMERO 187-LOJA 02-SETOR CENTRAL
Goiânia
74.030-065

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 18:00
Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 18:00
Sábado 09:30 - 12:30

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