10/07/2026
Antes que o ferro encontrasse as mãos dos homens, já existia uma espada feita de silêncio.
Era a espada de Oguían.
Branca como a manhã que desperta sem fazer alarde.
Leve como o vento que dobra a relva, mas jamais quebra sua raiz.
Firme como a fé daqueles que continuam caminhando, mesmo quando o caminho ainda não existe.
Conta um antigo itã que Oguían percorreu o mundo levando consigo o inhame, não como alimento apenas, mas como promessa. Cada semente enterrada era um pacto entre o céu e a terra. Cada colheita lembrava que toda abundância nasce primeiro na paciência.
Enquanto muitos erguiam armas para dominar, Oguían erguia a esperança.
Seu combate nunca foi contra homens.
Foi contra a fome.
Contra o medo.
Contra a escuridão que se instala quando o coração esquece de acreditar.
Há guerreiros que vencem exércitos.
O Guerreiro Funfun vence o tempo.
Ensina que a força não está no grito, mas na serenidade.
Que a coragem não mora na violência, mas na permanência.
Que a maior das vitórias é permanecer inteiro, quando o mundo insiste em nos partir.
Seu branco não é vazio.
É o branco das nuvens que anunciam chuva sobre a terra seca.
É a espuma do mar beijando a areia.
É o sopro de Oxalá repousando sobre cada cabeça, lembrando que toda luz nasce do silêncio.
Que Oguían caminhe à nossa frente.
Que sua espada corte apenas aquilo que nos afasta do nosso destino.
Que seus passos nos ensinem que a verdadeira grandeza não floresce na pressa, mas na constância.
E que, quando o peso da vida parecer maior que nossa própria fé, possamos ouvir, no silêncio do nosso Ori, o eco de seus passos dizendo:
Ileke Osoguian Epitio