17/07/2026
Eu não cresci em uma família de grandes viajantes.
Quando eu era criança, lembro de ter ido à Espanha, mas, tirando isso, viajar não fazia realmente parte da nossa rotina.
Mesmo assim, uma simples passagem de avião comprada por impulso mudou completamente o rumo da minha vida.
Eu me lembro do dia em que decidi ir para a Irlanda.
Eram 6 horas da manhã. Eu estava me levantando para ir trabalhar e, pouco antes de sair de casa, comprei uma passagem de ida e volta.
Sem pensar muito.
Também me lembro do dia em que fui de carona para encontrar minha família em Aix-en-Provence, para passarmos um último momento juntos antes da minha partida para Taiwan.
E então chegou aquele grande dia.
Pedi demissão do meu trabalho como encanador em veleiros de luxo. Vendi ou doei tudo o que eu tinha. Comprei uma mochila.
E embarquei.
Sinceramente, acho que foi naquele dia que a minha vida realmente tomou um rumo completamente diferente.
Pegar carona se tornou um dos meus meios de transporte preferidos.
Não apenas para seguir em frente.
Mas para conhecer pessoas.
Para aprender a confiar.
E, às vezes… para aprender a estar sozinho.
Na beira da estrada, o tempo deixa de ter o mesmo significado.
A paciência também.
E a vulnerabilidade, mais ainda.
Foi viajando que eu entendi que não é preciso falar a mesma língua para se compreender.
Um sorriso.
Um olhar.
Às vezes, isso basta.
Digo isso porque, quando cheguei a Taiwan, o meu nível de inglês era praticamente o mesmo de quando eu tinha 6 anos.
Passei por alguns momentos de solidão, sem entender quase nada do que acontecia nos hostels.
Mas eu tinha feito uma promessa para mim mesmo: não ficar com os franceses.
Eu queria aprender.
Então vieram centenas de horas assistindo Friends, muitos encontros, erros, gargalhadas… e muita persistência.
Alguns meses depois, eu finalmente conseguia ter conversas de verdade.
Viajar abriu os meus olhos para o mundo.
Para realidades das quais eu nem fazia ideia.
Mudei a minha forma de consumir.
Me tornei minimalista (talvez até um pouco demais… haha).
E, depois da minha viagem às Filipinas, há seis anos, me tornei vegetariano.
Essa historia continua no primeiro comentário👇🏼