13/10/2020
Reflexo da diversidade
“Encontrei a mulher que hoje existe em mim quando em um dia de trabalho enxerguei o abismo que nos separa dos homens. Não teve volta. Percebi que ser mulher é ter sensibilidade para olhar o mundo. Das histórias que passaram por mim quis contar a das índias de Dourados, rejeitadas nas delegacias, porque causava angústia. Quis ouvir as mães que perderam seus filhos em confronto com a polícia porque vi amor. Tentei transcrever a vontade das jovens que usam as redes sociais para mobilizar umas as outras porque inspira. Me emocionei ao ouvir negras falando firmes contra o racismo. Vi força quando conheci as mulheres trans. Fui representada quando todas foram às ruas para assegurar nossos direitos na saúde pública. Senti o arrepio na espinha das que foram assediadas no transporte público. Sinto orgulho quando assisto a uma de nós assumir um cargo público. Olho no espelho e vejo um pouco de cada uma delas em mim. Ser mulher é refletir essa diversidade. E cada dia que enxergo melhor essas diferenças, concluo: não há como voltar atrás.”
Fabíola Perez, repórter de Comportamento e Sociedade da IstoÉ