17/06/2026
Minha trajetória acadêmica e profissional é marcada pelo encontro entre diferentes campos do conhecimento que, para mim, são inseparáveis: a agronomia, a arquitetura e o design de objetos. A formação em Agronomia ampliou minha compreensão dos ciclos naturais, dos materiais e das relações que sustentam a vida. Mais do que um conhecimento técnico, ela me proporcionou uma consciência profunda sobre a posição do ser humano diante da natureza e sobre a responsabilidade que temos em relação aos recursos que utilizamos.
Essa visão está presente no meu trabalho como designer de objetos, como por exemplo no uso da madeira de araucária com intervenções em metal simbolizando o fazer humano. Ao trabalhar com esse material, procuro estabelecer um olhar de respeito , com sua origem, sua história e suas características naturais e principalmente sua relação com o fazer humano. As técnicas japonesas que utilizo reforçam essa busca por equilíbrio, precisão e valorização da matéria e do processo de execução , permitindo que o objeto revele sua essência .
Minha formação em Arquitetura acrescenta outra dimensão a essa reflexão: a relação do homem com a cidade. Se a agronomia me ensinou a observar os sistemas naturais, a arquitetura me levou a compreender os sistemas urbanos e a forma como habitamos e transformamos o espaço coletivo. Entre a floresta e a cidade, entre a matéria-prima e o ambiente construído, encontra-se o ser humano e sua capacidade de agir no mundo.
Por isso, meu trabalho busca refletir sobre essa condição. Os objetos que crio são uma forma de investigar como nos posicionamos diante da natureza, da cidade e do planeta. Interessa-me compreender como o fazer humano pode estabelecer relações mais conscientes, sensíveis e responsáveis com o ambiente que habitamos. Cada objeto torna-se, assim, uma expressão dessa busca por harmonia entre cultura e natureza, tradição e contemporaneidade, indivíduo e mundo.