30/06/2017
Resposta do Brasil
Tenho certeza que como boa observadora, assim como chegou sem convite até nossa página, também notou o conceito, a identidade construída, notou o tempo em que o espaço funcionou por 6 anos na Vila Madalena em São Paulo, notou a pesquisa e o nosso repertório baseado em moda, decoração e arte, como também o fato de nossa casa, apesar de não ser abastada ser abrigo para pequenos criadores e oferecer um luxo acessível genuinamente brasileiro, advindos de criadores que valorizam as matrizes fundantes do país: africana, indígena e europeia. E, mesmo sem possuirmos um palacete, talvez até por isso, deve ter notado, no último post nesta página, a intenção de um retorno ainda que virtual.
Então, sem nenhum esforço, qualquer um que fale português, pode fazer uma pesquisa rápida e “notar” tudo isso. Apesar desta facilidade, notei que estão utilizando o mesmo nome, o mesmo conceito e você vem me dizer suavemente que não estão satisfeitos. E, tal qual há 500 anos, aparece inocentemente de Portugal, “se não nos importarmos”, pra saber se pode ficar com nossa casa, assim, com toda simplicidade, como se estivéssemos com a bunda exposta na janela!
Ainda tenho bem vívidos na memória alguns episódios onde algumas pessoas, depois de ter me apresentado e de conhecerem o espaço que criei me perguntarem quem era o idealizador da Casa Pau Brasil, parece que para algumas pessoas, uma mulher negra não poderia ser a criadora deste conceito, nem ser a protagonista desta história, para algumas pessoas, eu devia ser invisível. F**a implícito na sua fala, que seria apropriado que me tornasse invisível e quem sabe apagasse minha trajetória para que possam reforçar “vosso” nome e identidade!!! É absolutamente assombrosa esta falta de ética, de respeito e de vergonha na cara!
Mas, note bem: tenho imenso orgulho desta trajetória e como disse em nosso último post “viramos o espelho pra dentro do nosso país e nos surpreendemos todos os dias com a poesia e criatividade, beleza e emoção com as quais o brasileiro se expressa em todas as linguagens”.
E por termos tido a honra de erguermos estes pilares, nossa casa virou algo com valor inestimável. Por isso, nossa Casa resistirá, ao tempo de reclusão que for necessário e aos chacais de ocasião pois, como postamos em 19/05/15 foi construídas sobre bases mais sólidas que as materiais, se tornou um lugar de encontro e diálogo com as nossas heranças e legados. É lugar de honra, de orgulho, de re-existir! E já está claro, se notou bem, é uma Casa Preta com certeza e não aceitará apagamento!