20/07/2026
Para o meu filho único ✨✨Henrique✨✨
Faz hoje dois anos e meio que o mundo parou para mim.
Dois anos e meio desde que perdi o meu TUDO, a minha razão de existir, o meu Henrique.
Desde esse dia, morri em vida.
Sinto que já não sei quem sou, que a pessoa que existia antes desta tragédia foi levada com ele.
Esta luta exaustiva de mais de dois anos, que deveria ter sido um caminho de busca pela verdade, tornou-se um mergulho num desgaste me levando hoje a um esgotamento a todos os níveis.
A cada dia, a cada adiamento, a cada silêncio, sinto que me tiram um pouco mais.
Na última quinta-feira, o meu corpo cedeu novamente mais um AIT , ameaço de um AVC, ficando com a boca de lado, enquanto tentava dormir um pouco . Quando a ambulância chegou, o pânico foi o que restou.
Recusei ir.
Como posso confiar num sistema que me roubou o que mais amava e que agora me deixa à mercê da própria angústia?
O inquérito foi fechado. Para eles, o meu Henrique é apenas um número, uma estatística num país onde a negligência médica ceifa vidas quase todos os dias.
A falta de empatia, a frieza dos relatórios, a ausência de coração na justiça dos homens,tudo isto é uma ofensa e um insulto à memória do meu filho.
Eu lutaria mais, meu filho, se tivesse forças. Mas sinto que estou a lutar contra um muro programado para proteger quem falhou, enquanto as leis parecem proteger apenas os culpados.
A espera por uma assinatura, o arrastar do processo, a falta de justiça... tudo isso está a matar-me lentamente.
Onde está a justiça? Onde está o reconhecimento da vida que valia tudo para mim?
Henrique, a minha revolta é do tamanho do amor que sinto por ti. Sinto-me abandonada pela humanidade, mas jamais me esquecerei de ti meu amor.
Tu não és um número.
Tu eras, e serás sempre, o meu maior orgulho e a minha maior dor.
Prometo que a tua voz não será silenciada, mesmo que as minhas forças já não cheguem para esta batalha impossível.
Amarei-te para sempre. A tua mãe.
DorEterna Justiça