16/08/2026
Quando vemos pela primeira vez aquelas duas botinhas ligadas por uma barra, é natural perguntarmo-nos como é que o nosso bebé se vai mexer e se a órtotese poderá fazê-lo começar a andar mais tarde.
Eu também tive essa dúvida. 💙
Por isso, quis perceber o que dizem os estudos e comparar essa informação com aquilo que fomos vivendo cá em casa.
E os resultados são tranquilizadores.
Alguns estudos encontraram pequenas diferenças médias na aquisição de determinados marcos motores em crianças com pé boto tratadas pelo método Ponseti. Num estudo com 94 crianças, por exemplo, a idade média para andar sem ajuda foi de 14,5 meses e, aos 18 meses, 90% já andavam de forma independente.
Mas será a órtotese a responsável?
Um estudo multicêntrico encontrou uma pequena diferença entre crianças com pé boto e os seus irmãos. No entanto, não encontrou diferença significativa na idade de ficar de pé e andar entre as crianças que cumpriam e as que não cumpriam o uso da órtotese.
Ou seja, os estudos disponíveis não demonstram que a utilização da órtotese, por si só, seja responsável por um atraso na marcha.
E há ainda outra coisa que ajuda a colocar estes números em perspetiva: mesmo entre bebés sem pé boto existe uma grande variação normal na idade em que cada marco é alcançado.
Cá em casa, o Theo começou a andar aos 14 meses — exatamente a mesma idade da irmã mais velha, que não tem pé boto. É apenas a nossa experiência, não uma regra, mas gosto de a partilhar porque talvez ajude outra família que esteja agora a olhar para aquela barra e a pensar:
“Será que ele vai conseguir?”
Vai aprender a mexer-se, a explorar e a encontrar a sua própria maneira, ao seu próprio ritmo. E nós vamos acompanhando cada pequeno passo. 💙
🔎 Fontes:
OMS - https://www.who.int/tools/child-growth-standards/standards/motor-development-milestones?utm_source=chatgpt.com
Estudo prospetivo — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25274792/
Estudo — idade da marcha após tratamento Ponseti
Estudo multicêntrico — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31489040/
Informação geral, não substitui a avaliação individual da criança.