02/02/2017
"Talegos & Companhia".
Os Talegos eram o providencial modo de transportar aquilo de que necessitavam as famílias mais pobres. Ia-se às compras de talego, o qual era lavado sempre que necessário. Havia um talego para ir aviar a mercearia e outro para ir ao pão, bem como outro para ir ao grão, ao feijão ou ao milho. Usava-se também um talego para guardar os magros tostões que possuíam em troca dos trabalhos campestres.
Os camponeses guardavam as sementes em talegos e os moleiros recebiam-nos de trigo, centeio ou milho, que devolviam com farinha, após os terem subtraído da quantia devida na sua moagem.
Era também nos talegos que se levava comida para o local de trabalho .
Nas casas, em arcas, cómodas e guarda-fatos haviam pequenos talegos com alfazema, que pelo seu cheiro afugentavam traças, moscas, mosquitos e demais insetos. Nesses mesmos locais, existiam por vezes talegos maiores, nos quais se acondicionava a roupa mais delicada ou mais antiga e que inspirava mais cuidados de preservação.
O talego era a embalagem reciclável inventada pelo sabedoria popular, que sempre soube encontrar formas criativas de lutar contra a adversidade e a falta de meios.
Depois de puído e roto pelo uso e pelas lavagens sucessivas, era remendado por mãos hábeis de mulheres, que assim lhe prolongavam a longevidade. E mesmo depois de serem abatidos ao serviço como “talegos”, continuavam ter préstimo. Serviam de rodilha ou de esfregão, até tal ser possível. Só depois se deitavam fora, para serem degradados pela terra-mãe e renascerem sob outra forma.
O talêgo era a embalagem reciclável inventada pelo sabedoria popular, que sempre soube encontrar formas criativas de lutar contra a adversidade e a falta de meios.