07/05/2023
Gosto muito das mães! Suponho que dá para entender. Porque elas seguram o mundo das crianças e, ao mesmo tempo, fazem por ser discretas e quase se "apagam". Na verdade, quando converso com as mães é difícil não me sentir sensibilizado com elas. Mesmo quando, para além do "Faço mal?", elas recorram a algumas desabafos, mais ou menos preciosos. Talvez de todos o mais comum surja quando lhes peço, sempre que sintam uma criança a "esticar-se" demais, que se deixem guiar pelo nariz e, indo atrás da sua sensibilidade de mães, se "passem" um bocadinho. Regra geral, as mães sorriem, quando lho peço, quase como quem diz: "Sou boa nisso...". Mas, sem nunca perderem a compostura, pedem-me: "Defina passar-me ....". Chega aí a minha vez de lhes sorrir:
Abrir-lhes os olhos. Levantar a voz. Explicar "onde pára a polícia"... (Habitualmente, nunca termino...)
Mas eu já exijo demais!.
E a conversa acaba, amena, comigo a pedir que "se passem" mais vezes. Na verdade, sempre que sintam que o devem fazer. Que, logo aí, o farão "em suaves prestações".
Não sei se sou capaz! (é o comentário que ouço sempre, de seguida, quase como se a mãe me dissesse que "cada um será para o que nasce". E há coisas que não casam com o coração da mãe.)
E, quando tento persuadia-las, dizendo-lhes que tudo será mais bem mais fácil do que elas pensam, as mães rematam com o já clássico:
Vou tentar! (que, em idioma de mãe, significa: "Só não prometo que vá conseguir...".
As mães são assim. Na verdade, fazem de cada filho uma "edição limitada". Uma obra "exclusiva". Ou - mais, ainda - uma "versão original". O que só é possível porque o coração de cada mãe é uma espécie de "reserva" universal da bondade. A prova, afinal, de que não é preciso que uma mãe seja perfeita. Basta que seja mãe. Ou querida mãe, se se preferir.