07/06/2026
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Desistimos, aos poucos desistimos. As ruas ficam vazias. As portas fecham e a Cidade perde carácter. Desistimos não porque é mais fácil mas sim porque estamos cansados de resistir, lutar, adaptar e reinventar.
Desistimos porque a nossa voz não chega e o silêncio é de ouro, segundo o ditado e nós sentimos que não nos valorizam. Porque o “Bom Dia”, “obrigado”, “se precisar de ajuda estamos aqui” já não chegam. A nossa disponibilidade e entrega não chegam. Comparam-nos com grandes lojas, marcas, grupos e outras cidades quando o jogo já está viciado à partida. Apontam o dedo para dizer mal, raramente para dizer bem. Esquecem aquele dia em que fomos nós que ajudamos quando não havia solução em mais lado nenhum. Nós éramos a resposta e ainda somos, basta quererem e acreditarem.
Parte-me o coração sentir que o nosso tempo está a terminar e ninguém parece querer saber. O Entroncamento está como muitas outras Cidades a perder o seu encanto mas os Shoppings, as marcas da moda, o hype das influencers do momento, as lojas de garagem que não passam uma única factura, os directos onde a barracada está montada são tudo o que as pessoas parecem querer e por isso nós desistimos. Desistimos todos os dias um bocadinho porque temos responsabilidades e pagamos demasiados impostos. Desistimos porque a carga fiscal é muita e este País parece não ter espaço para nós - os pequeninos, os legais, “os certinhos”, os que cumprem leis. E todos os dias desistimos mais um pouco porque o nosso colega desabafa connosco e nós sentimos a sua dor. Olhamos em redor e não há ninguém. E desistimos, desistimos sempre mais um bocadinho porque já não conseguimos mais acreditar. Há dias em que rezamos, mantemos o foco, a determinação e a fé mas não sei até quando. Porque quando esse dia chegar também nós desistimos do nosso sonho (A Distinta) e de uma boa parte da nossa vida.