05/06/2026
Choraram eles e chorei eu.
Acho que choraram muitos, acho que temos de chorar todos. Eu quero ser do tempo em que o cabrão do cancro se tornou manejável, suportável. Sou do tempo em que isso aconteceu com a SIDA. De letal, de demónio, passou a mais uma doença crónica controlável.
Sonho com isso para esta besta.
Todos os dias recebo mensagens de irmãos, pais, mães, filhos, primos, amigos, tios, de quem está a ser devastado por este merdas miserável. O que ele faz às famílias, às pessoas, é excruciante, de um excruciante que nem sei classificar. Temos de dar cabo do inclassificável. Quem trabalha contra ele é o melhor amigo de tantos, tantos; de todos, na verdade.
Aplaudo de pé, choro de pé, curvo-me, disponibilizo-me para fazer o que puder para ajudar no que for preciso.
Vivemos um espaço de tempo perigoso. Por todo o lado há idiotas a querer apoucar a ciência. Patetas. Não sabem o que custa uma doença crónica, não sabem o peso de uma seringa espetada na veia de quem amamos, não sabem o que custa empurrar dias a fio um carrinho de medicação por um corredor de um hospital, não sabem o cheiro, o som, dos Cuidados Intensivos, não sabem como se suporta a angústia de um diagnóstico. Não sabem nada. Fazê-los famosos é uma estupidez que cabe a nós corrigir. Vamos fazer estes, os que fazem estes milagres de verdade, famosos.
Eu acredito que só as boas pessoas e os grandes profissionais deviam ser famosos.
Também acham?
Adoro-vos, cientistas, investigadores.
Adoro-vos.
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🙏