Parece que foi ontem e até custa a acreditar que tenham passado tantos anos desde que eu era só uma miúda que assaltava o roupeiro e o guarda-jóias da avó Ema para me enfeitar e vestir como se fosse uma estrela de cinema. Até hoje, é recordado em família várias vezes, o dia em que cheguei majestosamente à sala (com dois quilos de bijoux, sapatos de salto a chinelar e os vestidos a arrastar pelo ch
ão) e disse do topo do meu 1,10mt: “olhem para mim, estou toda ourada”. Agora, quando penso nisso, parece que sempre esteve predisposto este meu “destino”: vaidosa como a minha avó paterna - e avô, não sei qual deles seria mais – e sempre pronta a inventar um pretexto para me mascarar, vestir, enfeitar e br**car ao faz-de-conta, desde que me lembro de ser gente, a moda sempre fez parte da minha vida. Quando chegou a hora de escolher um caminho na escola, ignorei (duas vezes!) os resultados de “artes” nos meus te**es psicotécnicos, mas quis o destino (ou terei sido sempre eu?), que o meu percurso nunca se tivesse desviado muito do caminho, com mais de metade da minha carreira ligada à moda e beleza. Com mais de oito anos de experiência no mercado de cosmética de luxo e perfumaria de designers de moda, a aprendizagem foi imensa, uma época à qual estarei para sempre grata e, sem dúvida, uma base valiosíssima sobre a importância do cuidado com o pormenor, e de como cada detalhe faz – realmente – a diferença. Ter mudado para São Paulo em 2011 trouxe-me a oportunidade de estudar em três anos, tudo o que tinha deixado em standby por tanto tempo: fotografia, desenho e ilustração, corte e costura, moulage e consultoria de moda. O regresso a Lisboa não podia ter vindo mais bem recheado: novas competências adquiridas, uma cabeça a fervilhar de ideias para pôr em prática e... um bebé na barriga! Volvidos que estão os desafios dos primeiros meses de maternidade, e ao mesmo tempo que trabalho em part-time num atelier de alta costura em Lisboa (aprender, sempre), estou finalmente disponível para pôr em marcha outros projectos e fazer nascer o meu “segundo filho”. Assim, é com orgulho que vos apresento Madame Cavalleri. Um projecto que volta às referências mais tradicionais das modistas das nossas avós e reinterpreta essa arte quase em desuso para os dias de hoje, para a tornar mais versátil, mais acessível, mais descomplicada.