01/09/2026
Boa noite meus girassóis 🌻
Antes de Setembro terminar o seu primeiro dia, preciso de vos dizer isto. E talvez seja uma das mensagens mais difíceis que alguma vez escrevi.
Setembro não é apenas o mês em que voltamos às rotinas.
É também um mês em que precisamos de falar de saúde mental, depressão e prevenção do suicídio.
E eu não quero falar disto de uma forma bonita.
Quero falar da forma mais verdadeira possível.
Porque enquanto nós estamos aqui a viver o nosso dia, há alguém a lutar uma batalha silenciosa.
Há alguém que sorriu hoje sem estar bem.
Alguém que respondeu “está tudo bem” porque já não tinha forças para explicar que não estava.
Alguém que entrou no trabalho, cuidou dos filhos, fez o jantar, respondeu a mensagens, publicou uma fotografia… e por dentro estava simplesmente a tentar aguentar mais um dia.
Depressão não é mimo.
Não é falta de força.
Não é ingratidão.
Não é falta de dinheiro.
E não desaparece porque alguém diz:
“Mas tens uma vida tão boa.”
Porque ter dinheiro não signif**a ter paz.
Ter uma família não signif**a não sentir solidão.
Estar rodeado de pessoas não signif**a sentir-se acompanhado.
E sorrir não signif**a estar feliz.
Há dores que não se veem.
Há batalhas que ninguém conhece.
E há pessoas que são especialistas em esconder aquilo que estão a sentir.
Os números continuam a lembrar-nos que isto não é um assunto distante.
Em Portugal, continuam a registar-se centenas de mortes por suicídio todos os anos, e os dados mais recentes disponibilizados pelo INE já abrangem 2025.
Mas eu não quero que olhemos para estes números apenas como estatísticas.
Porque por trás de cada número existia uma pessoa.
Um nome.
Uma história.
Uma família.
Alguém que amava e era amado.
E, infelizmente, muitos de nós já tivemos alguém na nossa vida que morreu por suicídio.
Talvez um familiar.
Um amigo.
Um vizinho.
Um colega.
Alguém que conhecíamos.
E quando acontece perto de nós percebemos que isto não é uma estatística que aparece num jornal.
É uma ausência que f**a.
É uma cadeira vazia.
É um telefone que já não toca.
É um abraço que já não acontece.
São perguntas que f**am sem resposta.
É uma família que continua a viver, mas que nunca mais volta a ser exatamente a mesma.
Por isso, por favor…
Parem de julgar aquilo que não conseguem ver.
Não digam a alguém deprimido para “ter força”.
Não digam “há pessoas com problemas muito maiores”.
Não digam “tens tudo para ser feliz”.
Não sabemos o que acontece dentro da cabeça e do coração de quem está à nossa frente.
Em vez disso…
PERGUNTEM.
“Como estás?”
E depois tenham coragem de perguntar:
“Mas estás mesmo bem?”
E se a resposta for não…
FIQUEM.
Não precisam de saber resolver.
Não precisam de ter as palavras perfeitas.
Às vezes, basta sentar ao lado.
Ouvir.
Segurar uma mão.
Dar um abraço.
Dizer:
“Eu estou aqui.”
Sejam as mãos que amparam.
O colo que segura.
O abraço que conforta.
O ouvido que escuta.
A pessoa que f**a quando todos os outros já foram embora.
E se esta mensagem estiver a chegar a alguém que está a sofrer neste momento, por favor, não fique sozinho com essa dor.
Em Portugal existe ajuda:
📞 1411 — Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico
Disponível 24 horas por dia.
📞 SNS 24 — 808 24 24 24
Aconselhamento psicológico através do SNS 24.
📞 SOS Voz Amiga — 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660 | 930 712 500
Todos os dias, das 15h30 às 00h30.
📞 Conversa Amiga — 808 237 327 | 210 027 159
Das 15h às 22h.
📞 Telefone da Amizade — 228 323 535
Das 16h às 23h.
📞 Voz de Apoio — 225 506 070
Das 21h às 24h.
🚨 Se existir perigo imediato ou risco de vida, ligue 112.
Guardem estes números.
Partilhem esta mensagem.
Talvez nunca precisem deles.
Mas talvez um dia alguém que amam precise.
E nesse dia, que saibam onde procurar ajuda.
Porque não quero que Setembro seja apenas o mês em que falamos sobre suicídio.
Quero que seja o mês em que aprendemos a reparar uns nos outros.
A olhar para além do sorriso.
A ouvir para além do “estou bem”.
A perguntar mais.
A julgar menos.
A abraçar mais.
A f**ar.
Porque talvez nunca saibamos o que alguém está a enfrentar em silêncio.
Mas podemos fazer uma coisa:
não deixar essa pessoa enfrentar tudo sozinha.
Que ninguém tenha vergonha de dizer:
“Eu não estou bem.”
E que ninguém tenha medo de responder:
“Então vem. Eu fico contigo.”
Porque, às vezes, aquilo que para nós parece apenas um gesto pequeno…
pode ser a razão pela qual alguém decide procurar ajuda e continuar. ❤️🌻